quinta-feira, 7 de julho de 2016

Performance - Corredor


Galeria Miguel Rio Branco - Inhotim

A Galeria Miguel Rio Branco conta com um acervo de fotos do artista espanhol homônimo, contemplando seus trabalhos iniciais, como os relatos do Pelourinho da década de 70, e suas imagens atuais, que evocam a noção da arte contemporânea. Por abordarem temas distintos, as exposições foram organizadas em dois ambientes: um no subsolo e outro no segundo andar da galeria, enquanto o andar térreo possui um café inativado.

Nesse sentido, o re´dio nos desconecta do ambiente onírico do Inhotim. Não há a intenção de dialogar com o jardim externo:as imagenns provocam, num primeiro momento, desconforto. Talvez se houvesse espaços para fuga do olhar, o confronto com as fotografias não seriam tão fortes.

Pelo mesmo motivo, o segundo andar segue essa lógica de projeto. As fotos, assim, passam a ter um caráter contemporâneo. Há uma nova leitura sobre o pelourinho, em forma de vídeo - "Nada levarei quando morrer, aqueles que me devem cobrarei no inferno". O áudio provoca novas sensações e assimilações que não foram feitas no pavimento inferior. Contudo, o som não se restringe apenas ao ambiente da exposição e influencia as análises das outras propostas do espanhol. As exposições "Diálogos com Amaú", "Hell's diptych", "Tubarões de seda" e "Arco do triunfo" são feitas sob gemidos de sexo, músicas de Bob Marley, The Doors e gravações dos moradores do pelourinho.

Existe uma guia própria para nos orientar nos percursos do prédio, já que há uma lógica pré-determinada de exibição e podemos pervertê-la escolhendo subjetivamente os caminhos. Isso faz com que a exposição perca um pouco o caráter orgânico que se espera quando se entra num museu. Por fim, o prédio é facilmente identificável no amiente do parqu. Muito se deve ao contraste entre sua fachada de aço usi sac com as duas massas arbóreas que o cercam através de duas vias.

Objeto para corte a laser



Seminário de interação - Usman Haque e Seiko Mikami

 Explorando as propostas de design interativo, escolhemos dois trabalhos que nos chamassem a atenção para discuti-los num seminário durante a aula. Assim, optamos pelo trabalho "Primal Source", do inglês Usman Haque e a intervenção "Desire of Codes", da japonesa Seiko Mikami.

Começando pelo arquiteto inglês, a interatividade consiste na modelação luminosa do ambiente através da intensidade das vozes das pessoas. De acordo com o som emitido havia a transformação e a projeção de luzes numa neblina formada por gotículas de água. Desse modo, na medida que os participantes descobriam que poderiam interferir no que estavam vendo, gritavam e interagiam entre si.

Contudo, quando mais pessoas participavam, mais desconfortável tornava-se o ambiente. Por fim, a interação se resumia a gritos e berros, afastando alguns usuários.
O trabalho da japonesa consiste em programar algumas câmeras, de forma a seguirem as pessoas e registrar pequenos vídeos que depois eram misturados com outros e exibidos numa tela. A obra propõe um reflexão a respeito da macanicidade e da vigilância nos centros urbanos contemporâneos. 

Complexo da Pampulha

O complexo da lagoa da Pampulha, mais do que apenas construções entorno da famosa lagoa, representa a materialização de outra época e relato da arquitetura de Niemeyer. Parte de um projeto de modernização da cidade, trata-se de cinco edificações: um cassino, uma casa de baile, um clube, uma igreja e um hotel (não realizado), demanda de Juscelino Kubitschek durante seu mandato como prefeito de Belo Horizonte. Sua inauguração data de maio de 1943, no entanto, o cassino encerra suas atividades em apenas 3 anos depois, em 1946, devido a proibição de jogos em todo país. Em 1957, o espaço é reinaugurado e passa a abrigar o Museu de Arte da Pampulha, função que mantém até os dias de hoje.

As construções relativas a este complexo trazem em sua concepção muitos preceitos da arquitetura funcionalista de Le Corbusier como a ideia de propiciar um caminhar livre por debaixo da edificação, garantindo a continuidade do caminhar e do olhar, se utilizando de pilotis para a elevação do bloco edificado; fachadas destacadas da resolução estrutural, entre outros.
Muitos desses pontos são bastante evidentes no MAP e na Casa do Baile, edificação criada para ser um espaço de lazer e entretenimento, verificou-se rapidamente a anexação do local como ponto relevante nos circuitos musical. Acabou fechando em decorrência do fechamento do cassino e atualmente abriga um centro cujos principais temas de discussão são assuntos vinculados a Urbanismo, Arquitetura e Design, funcionando desde 2002, ano de reabertura da Casa.


Além desses, existe a famosa Igreja  São Francisco de Assis, conhecida como Igreja da Pampulha, talvez a principal obra do conjunto muito devido à originalidade na resolução do projeto de uma Igreja, no qual Niemeyer se utiliza de suas reconhecidas formas leves e curvas se contrapondo à utilização do concreto armado, material que sugere rigidez. Apesar disso, as curvas que acabaram sendo assinatura dos projetos de Niemeyer, também foi o que causou impacto na sociedade da época, fazendo com que a consagração  da capela foi postergada enquanto questionavam se as curvas condiziam com o ambiente de eclesiástico.




As distâncias entre o experienciar - (representação x experiência presencial)

A visita ao Parque Municipal foi realizada após uma observação prévia do local através do Google Street View, interface que visa aproximar o experenciar da visita virtual da visita física, utilizando, para isso, representações do local em questão dispostas, neste caso, numa simulação de espacialidade. Ao refletir sobre as aproximações e distanciamentos da experiência presencial e da representação, de ímpeto os apontamentos seguiram em direção ao que a representação deixa a desejar – uma vez que simula apenas a informação visual enquanto a experiência física abrange estímulos de outras ordens do sensível como a sonoridade do ambiente, sensação térmica, cheiros e afins.

No entanto, ainda que a representação se aprofunde a ponto de reproduzir um número grande de informações que o ambiente abriga, ainda assim seria uma experiência que ruma para outro sentido. A exposição e os perigos existentes na realidade não são transferidos com fidelidade para a representação já que a experiência imersiva através de plataformas é precedida pelo conhecimento de que se trata de uma simulação, portanto, ainda que a símile seja muito próxima, a percepção passa também pelo filtro da consciência que identifica cada experimentação, alterando a leitura das informações recebidas durante a visita.

Ciranda em torno de mini-mundos - (rede entre os objetos)

Após a dinâmica de linkar os objetos trazidos com os de outras pessoas, as conexões estabelecidas com o meu objeto (caderno em branco, capa dura, cor sólida) foram: com uma bolsa, uma faca e um cobertor. As primeiras tentativas de pensar alguma correlação possível entre os objetos foi o exercício de imaginar uma situação ou contexto no qual esses objetos pudessem coexistir- no entanto, essa junção seria meramente finalística.


Reformulando as conexões possíveis, o caminho se deu de maneira a pensar no que estes objetos sugerem e confessam: cadernos guardam memórias através de mecanismos de linguagem (verbal e não verbal, além da dimensão simbólica, que não pode ser mensurada). A bolsa usualmente é utilizada como objeto cujo princípio é guardar e transportar, característica também oferecida pelo caderno, porém a materialidade dos objetos passíveis de serem guardados na bolsa abrange gamas “maiores” – uma vez que, dentre esses, o próprio caderno pode ser guardado na bolsa; adicionando assim dimensões a um objeto cuja materialidade é bastante rígida e bem definida. O cobertor, por sua vez, poderia ser utilizado como bolsa (simulando um pau de arara ). Porém ainda existia um apego forte com a lógica do objeto em si e não o que ele(s) possibilitam, fugindo aqui para uma possível investigação da questão da virtualidade.