As provocações realizadas na aula inaugural motivaram diversas
reflexões sobre o que distanciaria a Arquitetura e o Vestuário e após degustar
diversas posições acabei por me convencer que de fato existem mais similaridades
do que distanciamentos já que muitas das funções são cumpridas por ambas, seja
a função estética, a questão da construção de uma identidade, do conforto, do
lidar com as condições que o meio apresenta, da segurança e uma infinidade de
outros pontos comuns. No entanto, ainda assim existe o sentir natural e a linha
de raciocínio lógico apontando que há algo capaz de gerar diferenciações, creio
que seja uma discussão ampla e que rende diversos aprofundamentos, um desses
muitos:
O impulso mais duradouro acerca da questão foi investigar a finalidade
de cada um já que, pelo menos ao senso comum, tanto a Arquitetura como o Vestuário
têm finalidades específicas relacionada na maioria das vezes à criação de
edificações e de vestes, respectivamente; ainda que não concorde plenamente que
a Arquitetura e o Vestuário sirvam a algum fim pré-determinado, investi na ideia
chegando a questionar então, não para que servem, mas a quem conseguem atender.
Este caminho levou a pensar que, de certo modo, os produtos de vestuário são geralmente pensados para abrigar apenas um usuário, enquanto os
produtos da arquitetura são, por sua
vez, destinados a vestir o corpo social
que utiliza o espaço em questão. Ainda assim não é um afastamento claro,
entendo que acaba sendo como uma brincadeira poética que trabalha com a questão
do número de seres atendidos.