“Tendo agora o direito à palavra, apresento-me aqui escarrando com veemência
sobre o camarada Papel as injúrias sofridas durante os milhares de anos de
convivência com a humanidade, certa de que minha fala está alinhada às
convicções de uma grande e representativa parte dos meus.
É justa e
fundamental para o fomento da nossa discussão, regida pela camarada Mesa
Redonda, a proposição feita acerca da visão e do entendimento que a humanidade
tem sobre nós, Objetos. Amigos, somos e sempre fomos vistos como mediadores das
vontades e ímpetos da humanidade, puramente mecanismos destinados a um fim
pré-determinado: satisfazer ou facilitar os meios para que a humanidade
acredite que está mais perto do fetiche humanizador, o mito fundador da
sociedade humana: o deus Progresso.
Faz-se necessária
a tomada de uma atitude afirmativa frente a esta mentalidade pobre que enxerga
um de nós como executor de funções pré-concebidas, é preciso por fim rígido a
nomeação de objetos derivada desse ponto de vista, ora, deixo a símile: quantos
de nossos amigos Copos de requeijão não estão, neste exato momento, sendo copos
d’água? Por que manter nomeações restritivas se a vida desses camaradas
amplia-se superando o fim imposto? Por acaso se eu lhes mostrasse um exemplar
humano e perguntasse do que se trata diriam vocês apenas a função que essa peça
exerce durante o horário convencional de trabalho? Ainda que haja uma
gigantesca parcela humana sendo tratada e entendida como objeto, não podemos
cair no mesmo erro – saibam que essa noção é vital para atingirmos nossa
autonomia. Obrigada pela atenção.”
Transcrição da fala da Caneta
Preta, 10/03/2016.
Belo Horizonte, MG,
Brasil
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